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terça-feira, 12 de junho de 2012

Feliz Dia dos Namorados!!!


Hoje é o dia dos namorados. E hoje decidi fazer uma homenagem pro meu namorado e pro meu casal magya!!! Siiim, somos amigas de muito tempo, brigamos, rimos, temos uma conta infinita uma com a outra que nunca chega ao fim, temos bafos e abafa o caso e nos conhecemos de outros namorados carnavais. Hoje temos além de namorados, dois amigos, que se conheceram por nosso acaso e ao acaso se tornaram amigos também. Fico super feliz por ter um casal de amigo como vocês. 





                                









Pensando nisso, decidi postar esse texto da Clarissa Correa hoje. Além de companheiras hoje, fomos no passado companheiras solteiras, hoje temos ao nosso lado namorados maravilhosos que estão sempre a caminhar ao nosso lado.
Anderson meu Amor, te amo muito.
Suh e Victor, obrigada por caminhar conosco, espero que por todos os dias dessa nossa caminhada. Amamos vocês!

Beijos
Flávia

Um dia eu fui solteira. E, como toda boa solteira, saía para me divertir. Frequentava barzinhos, festas com bebida, sorrisos e risadas. Era bom e eu gostava. Até que um dia as coisas mudaram. Virei uma solteira chata. Não gostava mais do som alto, de gente desconhecida esbarrando em mim, de pessoas efusivas demais. 

Um dia eu fui solteira. E, como toda boa solteira, de vez em quando batia a vontade de ter alguém. Sabe como é, achava legal ver casais no cinema. Ela com a cabeça encostada no ombro dele, um saco de pipoca para dois, beijinhos e mãos dadas. Sentia vontade de ter aquilo na minha vida. Sentia vontade de ter alguém para abraçar, dormir e acordar junto. Sentia vontade de sair por aí meio sem rumo, de mãos dadas e coração grudado. 

Um dia eu fui solteira. Me envolvi com todo tipo de homem que você pode imaginar. E me dei conta de uma coisa: é a gente que atrai os "caras errados". Por medo, afinal de contas é bem mais fácil se envolver com um loser. Se der errado você vai pensar tudo bem, era um loser. O medo coloca uma venda nos nossos olhos e nos impede de atrair os "caras certos". Quem são eles? Os não perdedores. Os não cafajestes. Os não comprometidos. Os não problemáticos. Os que oferecem uma chance, ainda que mínima, de fazer dar certo. Os que lá no fim a gente olha e diz: deu certo o tempo que tinha que dar, ele era legal, mas não rolou. Porque quando o cara é errado ao cubo no final a gente fala: puta que pariu, eu sabia que não ia dar certo, lá no fundo eu sabia que ele era um cretino.

Um dia eu deixei de ser solteira. E foi a melhor coisa que fiz na vida. E foi aí que conheci o homem que sempre quis. Divertido, carinhoso, bonito, inteligente. E que me ouve. E que me entende. E que aceita meus defeitos. E que me faz querer ser uma pessoa melhor. E que cuida dos meus medos. E que me dá força para seguir em frente. E que não ri quando choro. E que tem uma paciência absurda para lidar com minhas crises existenciais. E que é cheiroso, gostoso e amoroso. E que me respeita. Não, ele não é perfeito. 

A gente tem a mania de achar que a vida de fulaninha é mais interessante e agitada que a nossa. Não, não é. E o namorado da fulaninha não é mais interessante que o seu. Ele não é nenhum ninja sexual. Ele não é nenhum guru do amor. A vida da fulaninha tem altos e baixos, como a sua. Ninguém vive uma vida de novela: se quebra e se quebra, finalmente encontra um cara legal, luta pra ficar com ele e vive feliz pra sempre. Isso não existe.

Quando eu era solteira achava que um dia ia encontrar o tal cara certo. E que o cara certo ia me fazer feliz. E que a gente ia viver feliz pra sempre. Uma vida Doriana. Com sorrisos, abraços, beijos, viagens e sexo quente. Achava que bastava encontrar o homem dos meus sonhos que tudo estaria resolvido em um passe de mágica. Me enganei.

Quando deixei de ser solteira percebi que me transformei em alguém muito mais feliz. Mas continuo tendo crise existencial, continuo com meus defeitos, continuo com minhas linhas tortas. É claro que melhorei, mas não me curei dos meus males. Ter alguém não resolve tudo. Encontrar o amor da vida não é garantia de ser 100% feliz. Existe o dia a dia, existe a rotina, existe a pasta de dente na pia, existe o tênis no meio do quarto, existe o seu jeito e o jeito dele. Não dá pra esquecer que você e ele foram criados de maneira diferente e, por isso, têm valores, visões e comportamentos diferentes. Não dá pra esquecer que, por mais que combinem e formem um casal próspero e feliz, existem dias ruins, existe briga, batida de porta, problemas, discussão. Cada um tem uma visão sobre a vida e o relacionamento. Cada um tem um gênio. 

As pessoas têm necessidades diferentes. E a intimidade faz com que as coisas se tornem mais fáceis e mais difíceis. Por que digo isso? No começo, tudo é sedução e encantamento. Você mastiga de boca fechada, não senta de perna aberta, não arrota, não solta pum, está sempre linda, cheirosa e gostosa. No começo, você acorda antes dele, vai correndo escovar os dentes pra dar o beijo de bom dia. Depois que você casa, continua linda, gostosa e cheirosa. Mas. Mas você e ele acordam com bafo matinal, se abraçam, dão um selinho. Você fica mais à vontade e mais confortável em ser quem é, por isso não quer morrer quando sem querer solta um pum. Antes, ficava vermelha e queria morrer. Agora vocês dois dão uma risada. A intimidade pressupõe a falta de nojo. Porque o outro é gente. E gente tem partes sujas. Imundas. Nojentas. Amar é não ter nojo. É claro que existe o respeito. É claro que existe o bom senso. Não dá pra exagerar. Mas também não dá pra exagerar no photoshop. Ninguém é lindo e legal todo o tempo. Isso não existe. Aliás, existe: na televisão, no cinema, no teatro. Mas acho que você, assim como eu, gosta de relacionamentos reais. O meu relacionamento não é perfeito, nem tem fogos de artifício a cada beijo. Mas ele é real e me faz bem. E é isso que vale, que importa. É isso que eu sempre quis.

Texto de Clarissa Correa. 


Feliz dia dos Namorados a todos!


Bom dia todo dia



Dos ficantes aos namoridos
"Se você é deste século, já sabe que há duas tribos que definem o que é um relacionamento moderno.

Uma é a tribo dos ficantes. O ficante é o cara que te namora por duas horas numa festa, se não tiver se inscrito no campeonato “Quem pega mais numa única noite”, quando então ele será seu ficante por bem menos tempo — dois minutos — e irá à procura de outra para bater o próprio recorde. É natural que garotos e garotas queiram conhecer pessoas, ter uma história, um romance, uma ficada, duas ficadas, três ficadas, quatro ficadas... Esquece, não acho natural coisa nenhuma. Considero um desperdício de energia.

Pegar sete caras. Pegar nove “mina”. A gente está falando de quê, de catadores de lixo? Pegar, pega-se uma caneta, um táxi, uma gripe. Não pessoas. Pegue-e-leve, pegue-e-largue, pegueeuse, pegue-e-chute, pegue-e-conte-para-os-amigos.

Pegar, cá pra nós, é um verbo meio cafajeste. Em vez de pegar, poderíamos adotar algum outro verbo menos frio. Porque, quando duas bocas se unem, nada é assim tão frio, na maioria das vezes esse “não estou nem aí” é jogo de cena. Vão todos para a balada fingindo que deixaram o coração em casa, mas deixaram nada. Deixaram a personalidade em casa, isso sim.

No entanto, quem pode contra o avanço (???) dos costumes e contra a vulgarização do vocabulário? Falando nisso, a segunda tribo a que me referia é a dos namoridos, a palavra mais medonha que já inventaram. Trata-se de um homem híbrido, transgênico.

Em tese, ele vale mais do que um namorado e menos que um marido. Assim que a relação começa, juntam-se os trapos e parte-se para um casamento informal, sem papel passado, sem compromisso de estabilidade, sem planos de uma velhice compartilhada — namoridos não foram escolhidos para serem parceiros de artrite, reumatismo e pressão alta, era só o que faltava.

Pois então. A idéia é boa e prática. Só que o índice de príncipes e princesas virando sapo é alta, não se evita o tédio conjugal (comum a qualquer tipo de acasalamento sob o mesmo teto) e pula-se uma etapa quentíssima, a melhor que há.

Trata-se do namoro, alguns já ouviram falar. É quando cada um mora na sua casa e tem rotinas distintas e poucos horários para se encontrar, e esse pouco ganha a importância de uma celebração.

Namoro é quando não se tem certeza absoluta de nada, a cada dia um segredo é revelado, brotam informações novas de onde menos se espera. De manhã, um silêncio inquietante. À tarde, um mal-entendido. À noite, um torpedo reconciliador e uma declaração de amor.

Namoro é teste, é amostra, é ensaio, e por isso a dedicação é intensa, a sedução é ininterrupta, os minutos são contados, os meses são comemorados, a vontade de surpreender não cessa — e é a única relação que dá o devido espaço para a saudade, que é fermento e afrodisíaco. Depois de passar os dias se vendo só de vez em quando, viajar para um fim de semana juntos vira o céu na Terra: nunca uma sexta-feira nasce tão aguardada, nunca uma segunda-feira é enfrentada com tanta leveza.

Namoro é como o disco “Sgt. Peppers”, dos Beatles: parece antigo e, no entanto, não há nada mais novo e revolucionário. O poeta Carlos Drummond de Andrade também é de outro tempo e é para sempre. É ele quem encerra esta crônica, dando-nos uma ordem para a vida: “Cumpra sua obrigação de namorar, sob pena de viver apenas na aparência. De ser o seu cadáver itinerante".


Bom dia para os namorados, maridos, esposas... todos aqueles que amam!!



Foto: reprodução